O jornalismo, o entretenimento e o treinamento de goleiros
- Bardi Valdir

- há 14 minutos
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O quê o treinamento de goleiros tem a ver com Denzel Washington?. Ele mesmo cita: "qual o longo prazo de muita informação, é que querem ser os primeiro e não falarem a verdade". Aqui é o nosso ponto, no Voa Goleiro, reforçamos nossa responsabilidade com o conteúdo pautado em informações teóricas e práticas, levadas a campo por quem vos lhes escreve.
Vivemos a era da velocidade. A informação nasce, cresce e envelhece em poucas horas. No futebol, e especialmente no universo do goleiro, isso tem um impacto direto na forma como o conhecimento circula. Hoje, o mesmo vídeo que entretém também educa, opina e, muitas vezes, influencia treinadores e goleiros que precisam treinar por si só.
Esse cenário trouxe algo positivo: nunca se falou tanto sobre goleiros. O público está mais curioso, mais interessado, mais atento aos detalhes da posição. O problema surge quando a busca por alcance começa a competir com a busca por profundidade.
A lógica das redes é simples: quanto mais rápido, mais curto e mais chamativo, melhor. Só que a formação de um goleiro não segue essa lógica. O desenvolvimento da posição é lento, complexo, cheio de nuances e depende de contextos, metodologias, experiências e estudos contínuos.
Não é justo generalizar e nem vamos. Existem criadores que se esforçam para estudar, ouvir, aprender e compartilhar conteúdo com responsabilidade. Muitos deles ajudam a aproximar o público da posição e despertam interesse genuíno. Isso é positivo e precisa ser reconhecido.
Mas é importante compreender uma diferença essencial: comunicar não é o mesmo que formar.
O treinamento de goleiros exige licenças, formação acadêmica, vivência prática, atualização constante e responsabilidade sobre o desenvolvimento humano e esportivo de atletas. Exige entender fisiologia, psicologia, tomada de decisão, análise de jogo, carga de treino, progressões pedagógicas e, principalmente, contexto competitivo dentre tantos outros pormenores. O futebol evolui todos os anos, e o profissional que trabalha dentro do campo precisa evoluir junto.
Quando o entretenimento assume o lugar da metodologia, nasce um risco silencioso: a simplificação excessiva. Exercícios isolados passam a parecer soluções universais. Lances viram “certo ou errado” sem análise dos contextos. Erros viram julgamentos rápidos e pobres. E, pouco a pouco, a desinformação começa a se misturar com a informação.
O goleiro sempre viveu numa linha tênue entre o sucesso e o fracasso. Hoje, essa linha também existe entre o conteúdo que educa e o conteúdo que apenas performa.
O futebol precisa de comunicação. Precisa de divulgação. Precisa de pessoas apaixonadas falando sobre a posição. Mas não pode abrir mão do papel do profissional qualificado, que estuda, se licencia, se atualiza e assume a responsabilidade de formar atletas.
Likes são instantâneos. Formação é processo.
E processo não pode ser substituído por algoritmo.
Valdir Bardi Treinador de goleiros Licenças "B"Treinador de Goleiros Atfa, "B"Treinador de Goleiros AFC.



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