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Quando o plano encontra o jogo: a atuação de Pickford na classificação da Inglaterra

Imagem craida com Inteligência artifical.
Imagem craida com Inteligência artifical.

Ainda na fase de grupos da Copa do Mundo, uma declaração de Thomas Tuchel chamou atenção. O treinador inglês demonstrou certo incômodo com a quantidade de bolas longas executadas por sua equipe, afirmando que aquela não era a ideia prevista para o jogo.

A discussão rapidamente tomou conta das análises. Estaria a Inglaterra fugindo do seu modelo? Até que ponto um jogador deve seguir o plano quando o contexto da partida oferece outra solução?


Levantamos esse debate em nosso instagram:


Talvez o confronto contra o México tenha respondido parte dessas perguntas.

No Voa Goleiro, costumamos defender que o goleiro não joga sozinho. Ele é parte integrada e tem notoriedade em suas ações, que visam ajudar equipe, resolvendo os mais diversos problemas.E foi exatamente isso que Jordan Pickford fez.


Se anteriormente a discussão estava concentrada nas bolas longas do jogo ofensivo, contra o México sua influência apareceu em outra dimensão: a defensiva.


Durante boa parte da partida, principalmente quando o México aumentou seu volume ofensivo, Pickford foi obrigado a atuar em diferentes cenários. Realizou defesas de elevada dificuldade em momentos decisivos, manteve a equipe viva quando a pressão mexicana aumentava e controlou com segurança o espaço aéreo, neutralizando cruzamentos e bolas paradas que passaram a ser uma das principais armas do adversário.

Aqui foi o diferencial de Pickford; existe uma diferença importante entre um goleiro que apenas faz defesas e um goleiro que controla o jogo.


Controlar o jogo significa impedir que o adversário transforme volume ofensivo em oportunidades reais. Significa atacar a trajetória da bola antes que ela encontre um atacante. Significa decidir quando sair, quando permanecer na linha, quando acelerar o jogo e quando esfriar a partida.


São decisões que raramente aparecem nos melhores momentos, mas que reduzem consideravelmente a quantidade de problemas enfrentados pela equipe.

Foi justamente esse gerenciamento que Pickford apresentou.


Quando o México passou a explorar o jogo aéreo, o goleiro inglês não ficou refém das circunstâncias. Pelo contrário. Demonstrou excelente leitura da trajetória da bola, bom tempo de saída e autoridade para dominar sua área. Com decisões acertivas até mesmo em quais técnicas utilizar, (socar a bola ou segurar). Cada interceptação representava muito mais do que uma defesa; representava o encerramento imediato de uma fase ofensiva mexicana.


Outro aspecto que merece destaque é o peso do contexto.

As grandes defesas aconteceram quando a partida ainda estava aberta. Em jogos eliminatórios, existe uma diferença enorme entre defender quando sua equipe já controla o resultado e defender quando qualquer erro pode significar a eliminação.

É nesses momentos que aparece aquilo que chamamos de performance decisiva e acertiva.



Se Pickford sofre um daqueles gols durante a pressão mexicana, provavelmente toda a narrativa da partida seria diferente.

Por isso, quando analisamos o desempenho de um goleiro, não devemos limitar nossa avaliação ao número de defesas realizadas.

É preciso compreender o impacto de cada intervenção sobre o comportamento da partida.

Quantos cruzamentos deixaram de se tornar finalizações?

Quantas decisões reduziram a pressão sobre sua linha defensiva?

Quantas vezes transmitiu segurança suficiente para que sua equipe mantivesse a organização mesmo sendo pressionada?

São essas perguntas que aproximam a análise da realidade do jogo.


Curiosamente, poucos dias depois da discussão sobre seguir ou não o plano através das bolas longas, Pickford mostrou que o verdadeiro valor do goleiro não está apenas em iniciar a construção ou executar determinado modelo ofensivo.


Seu maior valor continua sendo resolver os problemas que o jogo apresenta.

Mas, em uma Copa do Mundo, existe algo ainda mais importante: ter autonomia nas tomadas de decisões.



E talvez essa seja uma das maiores virtudes da posição.

Quando o goleiro faz um grande jogo, ele tem esse poder de segurar um resultado.

No fim, a classificação inglesa não pertence apenas ao sistema ofensivo ou às escolhas de Tuchel.

Ela passa, inevitavelmente, pelas mãos de Jordan Pickford. Que mostrou autonomia, alra concentração e resiliencia, para que continuamente, conseguisse tomar boas decisões quando o ambiente era totalmente hostil para sua equipe.



Valdir Bardi Treinador de Goleiros Licenças AF( Asia Football Confederation).

 
 
 

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