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Quando o plano encontra o jogo: a atuação de Pickford na classificação da Inglaterra

6 de jul.
3 min de leitura
Imagem craida com Inteligência artifical.
Imagem craida com Inteligência artifical.

Ainda na fase de grupos da Copa do Mundo, uma declaração de Thomas Tuchel chamou atenção. O treinador inglês demonstrou certo incômodo com a quantidade de bolas longas executadas por sua equipe, afirmando que aquela não era a ideia prevista para o jogo.

A discussão rapidamente tomou conta das análises. Estaria a Inglaterra fugindo do seu modelo? Até que ponto um jogador deve seguir o plano quando o contexto da partida oferece outra solução?


Levantamos esse debate em nosso instagram:


Talvez o confronto contra o México tenha respondido parte dessas perguntas.

No Voa Goleiro, costumamos defender que o goleiro não joga sozinho. Ele é parte integrada e tem notoriedade em suas ações, que visam ajudar equipe, resolvendo os mais diversos problemas.E foi exatamente isso que Jordan Pickford fez.


Se anteriormente a discussão estava concentrada nas bolas longas do jogo ofensivo, contra o México sua influência apareceu em outra dimensão: a defensiva.


Durante boa parte da partida, principalmente quando o México aumentou seu volume ofensivo, Pickford foi obrigado a atuar em diferentes cenários. Realizou defesas de elevada dificuldade em momentos decisivos, manteve a equipe viva quando a pressão mexicana aumentava e controlou com segurança o espaço aéreo, neutralizando cruzamentos e bolas paradas que passaram a ser uma das principais armas do adversário.

Aqui foi o diferencial de Pickford; existe uma diferença importante entre um goleiro que apenas faz defesas e um goleiro que controla o jogo.


Controlar o jogo significa impedir que o adversário transforme volume ofensivo em oportunidades reais. Significa atacar a trajetória da bola antes que ela encontre um atacante. Significa decidir quando sair, quando permanecer na linha, quando acelerar o jogo e quando esfriar a partida.


São decisões que raramente aparecem nos melhores momentos, mas que reduzem consideravelmente a quantidade de problemas enfrentados pela equipe.

Foi justamente esse gerenciamento que Pickford apresentou.


Quando o México passou a explorar o jogo aéreo, o goleiro inglês não ficou refém das circunstâncias. Pelo contrário. Demonstrou excelente leitura da trajetória da bola, bom tempo de saída e autoridade para dominar sua área. Com decisões acertivas até mesmo em quais técnicas utilizar, (socar a bola ou segurar). Cada interceptação representava muito mais do que uma defesa; representava o encerramento imediato de uma fase ofensiva mexicana.


Outro aspecto que merece destaque é o peso do contexto.

As grandes defesas aconteceram quando a partida ainda estava aberta. Em jogos eliminatórios, existe uma diferença enorme entre defender quando sua equipe já controla o resultado e defender quando qualquer erro pode significar a eliminação.

É nesses momentos que aparece aquilo que chamamos de performance decisiva e acertiva.



Se Pickford sofre um daqueles gols durante a pressão mexicana, provavelmente toda a narrativa da partida seria diferente.

Por isso, quando analisamos o desempenho de um goleiro, não devemos limitar nossa avaliação ao número de defesas realizadas.

É preciso compreender o impacto de cada intervenção sobre o comportamento da partida.

Quantos cruzamentos deixaram de se tornar finalizações?

Quantas decisões reduziram a pressão sobre sua linha defensiva?

Quantas vezes transmitiu segurança suficiente para que sua equipe mantivesse a organização mesmo sendo pressionada?

São essas perguntas que aproximam a análise da realidade do jogo.


Curiosamente, poucos dias depois da discussão sobre seguir ou não o plano através das bolas longas, Pickford mostrou que o verdadeiro valor do goleiro não está apenas em iniciar a construção ou executar determinado modelo ofensivo.


Seu maior valor continua sendo resolver os problemas que o jogo apresenta.

Mas, em uma Copa do Mundo, existe algo ainda mais importante: ter autonomia nas tomadas de decisões.



E talvez essa seja uma das maiores virtudes da posição.

Quando o goleiro faz um grande jogo, ele tem esse poder de segurar um resultado.

No fim, a classificação inglesa não pertence apenas ao sistema ofensivo ou às escolhas de Tuchel.

Ela passa, inevitavelmente, pelas mãos de Jordan Pickford. Que mostrou autonomia, alra concentração e resiliencia, para que continuamente, conseguisse tomar boas decisões quando o ambiente era totalmente hostil para sua equipe.



Valdir Bardi Treinador de Goleiros Licenças AF( Asia Football Confederation).

 
 
 

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