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ACREDITAR, CRIAR O HÁBITO E COLOCAR À PROVA

Conquistamos uma classificação histórica para o Vietnã e para o Công An Hà Nội: além de ser a primeira vez que um clube vietnamita supera um clube australiano em uma competição continental, também garantimos uma vaga inédita para o país e para o clube.


Mas o fato que quero destacar aqui vai além do resultado. É sobre acreditar, criar bons hábitos e colocá-los à prova.


Conseguem perceber as três fotos destacadas?! Pois bem, a história começa antes delas.

Nos dois primeiros dias de treino em Adelaide, trabalhamos sob condições adversas: chuva pesada, frio intenso e um campo que não era dos melhores.


No segundo dia, durante a parte isolada do treino, fazíamos os últimos ajustes antes de integrar o goleiro à equipe. Em uma sequência de finalizações de bate-pronto de fora da área, antes de entregar os goleiros a parte integrada, errei dois ou três chutes, e o Filip simplesmente nem foi na bola. Normal?!


Não. Porque, para mim, não pode ser normal um goleiro nosso não tentar ir na bola.

A bola passou perto, mas Filip insistiu:

“Estava fora. Para que pular?”


Conversamos sobre a importância de tentar, acreditar e, sim, pular! Era preciso garantir que aquela bola realmente estava indo para fora. Pela grandeza do jogo que teríamos pela frente, não existiria espaço para simplesmente assistir à bola passar.


Mais tarde, no treino integrado, ainda com muita chuva e frio, nosso jogador David Henen acertou um ótimo chute no ângulo. Filip novamente apenas olhou.


Logo o abordei:

“Por que não foi na bola?!”

O princípio era exatamente o mesmo do aquecimento: ACREDITAR.

Filip concordou.

Um dia antes do jogo, treinando no ótimo Coopers(Adelaide), errei um chute. Filip só olhou.

“Só vai olhar?!”, indaguei

Segundo chute: errei de propósito. Ele só olhou novamente.

Resultado: 20 apoios de braço. 

O princípio era o mesmo:

“Amanhã não temos margem para isso!”

Terceiro chute, novamente para fora… e, dessa vez, Filip tentou!


Chegou o dia do jogo.

Aos oito minutos, falta para o Adelaide. O jogador cobra por cima da barreira e Filip… só olha! (primeira foto).

Eu, no banco, pensando:

“Não é possível…”


Pouco depois, por volta dos 20 minutos, um chute passa por cima da baliza. Nem estava tão perto (segunda foto).

Filip voou na bola!

Naquele momento, pensei:

“Isso!!! Estamos no jogo.” 


Conquistamos o resultado, mas uma atuação convincente é tudo o que um treinador de goleiros espera do seu atleta.

Vencíamos por 2–0 fora de casa, encaminhando uma classificação histórica, quando veio uma bola cruzada na área.

Filip estava no primeiro poste.A bola foi para o segundo.O jogador do Adelaide cabeceou e…

Filip apareceu quando todos já comemoravam o gol. 

Meu sentimento naquele momento?!

Exatamente as palavras que disse ao nosso treinador:

“Melhor que um gol!”.


Ainda tínhamos mais quatro minutos para jogar.

E aqui está a reflexão que fica para mim: jogar aqueles últimos minutos depois daquela defesa trouxe confiança para o Filip e para toda a equipe. Sem aquela intervenção, tudo poderia ter se tornado muito mais difícil.

Filip acreditou e colocou à prova tudo aquilo que havíamos conversado e trabalhado nos dias anteriores.


No final, os méritos são todos do atleta. É ele quem está dentro do campo, quem precisa tomar a decisão e executar quando realmente importa.

Para nós, treinadores, fica a satisfação de perceber que uma conversa, uma correção, uma cobrança e um hábito construído no treino podem aparecer justamente no momento mais importante.

ACREDITAR. TENTAR. CRIAR O HÁBITO. COLOCAR À PROVA. 

Classificação histórica conquistada.

E um treinador de goleiros que agora vai poder dormir os próximos dias um pouco mais em paz.



Valdir Bardi Treinador de Goleiros Licença "A" AFC . ATFA "B" treinador de goleiros.

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